sexta-feira, 20 de abril de 2012

CLIPPING EDUCACIONAL, QUARTA 28 DE MARÇO DE 2012


Matérias de Hoje
  • Ciência sem Fronteiras atrasa repasse de bolsa a todos os pesquisadores > O Estado de São Paulo - São Paulo SP
  • Alunos de pós convocam greve nacional para cobrar reajuste nas bolsas > O Estado de São Paulo - São Paulo SP
  • Universidade de Oxford aceitará 'Enem' indiano em processo seletivo > O Estado de São Paulo - São Paulo SP
  • Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca, diz estudo > O Estado de São Paulo - São Paulo SP
  • Novas tecnologias não anulam a importância das bibliotecas físicas > Portal Aprendiz
  • Proibição de kit anti-homofobia nas escolas terá nova votação > O Globo - Rio de Janeiro RJ
  • MPF quer permitir crianças com menos de 6 anos no ensino fundamental > O Globo - Rio de Janeiro RJ
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Editoriais, artigos e opiniões
  • Desafio da educação > Estado de Minas - Belo Horizonte MG
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Matérias
> O Estado de São Paulo, 27/03/2012 - São Paulo SP
Ciência sem Fronteiras atrasa repasse de bolsa a todos os pesquisadores
CNPq diz não saber quantos alunos estão sem receber; estudante no Canadá teve de pedir dinheiro
Paulo Saldaña
O programa Ciências Sem Fronteiras, aposta da presidente Dilma Rousseff para a formação de pesquisadores, tem atrasado o repasse do dinheiro para bolsistas no exterior. Um estudante brasileiro no Canadá, por exemplo, não recebeu a bolsa referente a dois meses e já teve de pedir dinheiro emprestado. Apesar de confirmar alguns atrasos, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um dos responsáveis pelo programa, diz não saber quantos alunos estão sem receber. Estudante do 3.º ano de Engenharia no Mackenzie, João Paulo Catanoce, de 26 anos, chegou no dia 12 de fevereiro a Vancouver, no Canadá, para fazer parte de sua graduação na conceituada Universidade da Colúmbia Britânica. Ainda no Brasil, recebeu o suficiente para comprar a passagem, mais uma quantia para plano de saúde, ajuda de custo e auxílio-moradia. Tudo referente ao primeiro mês, o de fevereiro. Dois dias depois de se instalar, encaminhou a prestação de contas dos gastos para e-mail do programa, esperando o crédito referente a março e abril - o que não ocorreu. "É constrangedor passar por isso, ainda mais em umpaís onde todo mundo paga as contas em dia. Passa uma má impressão do Brasil." A previsão é de que ele receba só em meados de abril.

As regras do pagamento das bolsas são claras nesse sentido. O pagamento é trimestral e o benefício dos meses de fevereiro, março e abril deveria ter sido pago em janeiro. "O problema maior é o aluguel, porque para comer eu acabo me virando." Sem o repasse, o estudante atrasou o aluguel por duas semanas. Só depois de pedir dinheiro emprestado ele conseguiu quitar os 800 dólares canadenses da dívida. Quem o ajudou foi um professor do laboratório de mineração em que estuda - fora o gasto com alimentação, ele paga 81 dólares canadenses mensais de transporte. "O professor entendeu e me emprestou. Não sei o que vou fazer se não depositarem logo." Erro. O CNPq confirmou a falha e prometeu fazer o depósito só no dia 15 de abril - com valores referentes a março, abril e três meses seguintes. Até lá, Catanoce não tem ideia de como vai arcar com as contas. "Informei ao CNPq que teria de pagar o aluguel e recebi um e-mail dizendo que o gasto do aluno é problema do aluno."
Segundo o CNPq, houve um erro no sistema de registro dos bolsistas, por causa do grande volume de beneficiados. Os outros casos de atrasos teriam o mesmo motivo. O estudante diz que a universidade sabe do seu caso e não quer mais aceitar bolsistas do programa. Orientador de Catanoce, o brasileiro Marcello Veiga está há 20 anos no Canadá. "Aqui ninguém sabe o que é o Ciências Sem Fronteiras, portanto, o estudante assiste às aulas clandestinamente". Falta de contato. O bolsista demorou um mês para conseguir uma explicação sobre seu caso. Não houve reposta e e-mails ficaram inativos sem aviso. "Primeiro ninguém responde, depois ninguém sabe de nada." Só soube no meio deste mês, após ajuda de bolsistas de outros países, que o endereço eletrônico que tinha estava desativado. "Nas respostas, parece que dizem: ‘Fique feliz por participar’". Por meio da assessoria de imprensa, o CNPq informou que o programa é novo e "precisa melhorar". Cerca de 11 mil pesquisadores brasileiros estão no exterior com bolsa do Ciência Sem Fronteiras e outros 9 mil devem chegar até o fim do ano.

> O Estado de São Paulo, 27/03/2012 - São Paulo SP
Alunos de pós convocam greve nacional para cobrar reajuste nas bolsas
Paralisação deve ocorrer nesta 5ª-feira; mestrandos e doutorandos querem 40% de aumento
Carlos Lordelo, do Estadão.edu
Alunos de pós-graduação planejam paralisar as atividades acadêmicas e de pesquisa nesta quinta-feira, 29, para reivindicar o reajuste imediato do valor das bolsas de mestrado e doutorado, congelado há quatro anos. Os estudantes pedem aumento de 40%. Hoje um mestrando ganha R$ 1,2 mil e um doutorando R$ 1,8 mil mensais das agências de fomento à pesquisa do governo federal (Capes e CNPq). Foi a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) que convocou a greve. Segundo a entidade, o pedido de reajuste leva em conta a previsão de investimentos do Plano Nacional de Ciência e Tecnologia e a inflação acumulada do período, de cerca de 20%.

"Estamos há dois anos negociando com o governo e apresentando
nossa manifestação, mas os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia são irredutíveis", diz a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, de 32 anos. Ela faz doutorado em Educação na PUC-SP. Elisangela critica o corte de 23% no orçamento do MCT para este ano. "Isso vai na contramão do desenvolvimento do País. O governo deveria responder à crise econômica com mais investimentos, em especial em ciência e tecnologia." Na quinta-feira, os pós-graduandos planejam fazer aulas públicas e panfletagens nas universidades. Também está previsto um "twittaço" para chamar a atenção da sociedade. Um abaixo-assinado que roda desde o ano passado já recebeu mais de 50 mil assinaturas a favor da causa dos estudantes.'Contradição' - Elisangela vê contradição entre a "política interna de valorização dos pesquisadores" e o programa do governo federal Ciência sem Fronteiras, cuja meta é conceder 100 mil bolsas de estudo no exterior até 2014. "O Ciência sem Fronteiras é importante para o País porque promove a integração entre instituições científicas. Por outro lado, o pesquisador, aqui no Brasil, não é valorizado. O valor das bolsas é baixo e o acompanhamento do dia a dia do estudante é deficitário", afirma a presidente da ANPG. A reportagem não conseguiu contato com a Assessoria de Imprensa do CNPq. Enviou e-mail para a Assessoria de Imprensa da Capes, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

> O Estado de São Paulo, 27/03/2012 - São Paulo SP
Universidade de Oxford aceitará 'Enem' indiano em processo seletivo
A partir de 2013, alunos indianos não terão mais que se submeter a exames internacionais
Estadão.edu
A partir de 2013, alunos que tiverem nota igual ou superior a 90% nos exames de avaliação do sistema educacional da Índia, espécie de "Enem" indiano, poderão se candidatar a uma vaga na Universidade de Oxford, uma das instituições mais tradicionais do mundo. Segundo o jornal The Times of India, o anúncio foi feito pelo vice reitor da universidade, Andrew Hamilton, em visita ao país."Queremos atrair os melhores alunos da Índia para Oxford", disse. Até então, todo aluno indiano que desejasse se candidatar a uma vaga na instituição britânica era obrigado a fazer testes internacionais que comprovassem sua aptidão acadêmica. Dois exames serão aceitos por Oxford. Um deles é aplicado pelo órgão governamental Central Board of Secondary Education (BCSE). Ooutro, privado, é administrado pelo Council for the Indian School Certificate Examinations (CSICE). Para o jornal The Chronicle of Higher Education, especializado em educação superior, a decisão de Oxford segue padrão já adotado pela Universidade de Sidney, na Austrália, que em fevereiro passou a aceitar exames chineses na admissão de estudantes.

> O Estado de São Paulo, 27/03/2012 - São Paulo SP
Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca, diz estudo
Pesquisa do Instituto Pró-Livro mostra que 71% da população têm fácil acesso a uma biblioteca
Edison Veiga e Paulo Saldana
O desempregado gaúcho Rodrigo Soares tem 31 anos e nunca foi a uma biblioteca. Na tarde desta terça-feira, ele lia uma revista na porta da Biblioteca São Paulo, zona norte da cidade. "A correria acaba nos forçando a esquecer essas coisas." E Soares não está sozinho. Cerca de 75% da população brasileira jamais pisou numa biblioteca - apesar de quase o mesmo porcentual (71%) afirmar saber da existência de uma biblioteca pública em sua cidade e ter fácil acesso a ela. Vão à biblioteca frequentemente apenas 8% dos brasileiros, enquanto 17% o fazem de vez em quando. Além disso, o uso frequente desse espaço caiu de 11% para 7% entre 2007 e 2011. A maioria (55%) dos frequentadores é do sexo masculino. Os dados fazem parte da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro (IPL), o mais completo estudo sobre comportamento leitor. O Estado teve acesso com exclusividade a parte do levantamento, cuja íntegra será divulgada nesta quarta-feira em Brasília. Para a presidente do IPL, Karine Pansa, os dados colhidos pelo Ibope Inteligênciamostram que o desafio, em geral, não é mais possibilitar o acesso ao equipamento, mas fazer com que as pessoas o utilizem. "O maior desafio é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostam de estar, com prazer. Não só para estudar."

A preocupação de Karine faz todo sentido quando se joga uma luz sobre os dados. Ao serem questionados sobre o que a biblioteca representa, 71% dos participantes responderam que o local é "para estudar". Em segundo lugar aparece "um lugar para pesquisa", seguido de "lugar para estudantes". Só 16% disseram que a biblioteca existe "para emprestar livros de literatura". "Um lugar para lazer" aparece com 12% de respostas. Perfil. A maioria das pessoas que frequentam uma biblioteca está na vida escolar - 64% dos entrevistados usam bibliotecas de escolas ou faculdades. Dados sobre a faixa etária (mais informações nesta página) mostram que, em geral, as pessoas as utilizam nessa fase e vão abandonando esse costume ao longo da vida. A gestora ambiental
Andrea Marin, de 39 anos, gosta de livros e lê com frequência. Mas não vai a uma biblioteca desde que saiu dos bancos escolares. "A imagem que tenho é de que se trata de um lugar de pesquisa. E para pesquisar eu sempre recorro à internet", disse Andrea.

Enquanto folheava uma obra na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, na Pompeia, zona oeste, diz que prefere as livrarias. Interessada em moda, ela procurava livros que pudessem ajudá-la com o assunto. "Nem pensei em procurar uma biblioteca. Nas livrarias há muita coisa, café, facilidades. E a biblioteca, onde ela está?", questiona. Dez minutos depois, passa no caixa e paga R$ 150 por dois livros. O estudante universitário Eduardo Vieira, de 23 anos, também não se lembra da última vez que foi a uma biblioteca. "Moro em Diadema e lá tem muita biblioteca. A livraria acaba mais atualizada", diz ele, que revela ler só obras cristãs. "Acho que nem tem esse tipo de livro nas bibliotecas."

> Portal Aprendiz, 26/3/2012
Novas tecnologias não anulam a importância das bibliotecas físicas
Flávio Aquistapace
“A biblioteca Google cumpre um papel significativo ao escanear e divulgar as obras raras. Mas as novas tecnologias não anulam a importância e o papel das bibliotecas físicas, enquanto centros não apenas de conservação, mas também de difusão da leitura”, defende Nelson Schapochnik, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em história da leitura durante palestra no Sesc Belenzinho, em São Paulo, na última quinta (22/3). Ipad, celular, netbook, note, kindle, papel-jornal, revistas, poemas em cds e até livros. Conservar os conteúdos feitos para diferentes suportes de comunicação traz desafios inéditos a respeito da manutenção de coleções no presente e no futuro. “As bibliotecas vão se tornar cada vez mais um lugar de estudos e menos um lugar de leitura pelo mero prazer”, pondera Schapochnik. Um dos aspectosressaltados por ele são as novas formas de exclusão social que surgem mesmo com o advento das mídias digitais. “Existem os Pontos de Cultura, que facilitam o acesso ao acervo digital. Mas quem é que lê Ulisses, do James Joyce, na tela de um computador? O romance narra 24 horas na vida de uma pessoa, mas são 800 páginas, afinal”.

Em sua palestra, Schapochnik lembrou que o homem, ao longo da sua trajetória, conviveu com diferentes jeitos de ler e atribuir sentido ao que se lia. “A leitura não é um processo natural ou universal, que ocorre do mesmo jeito, mas antes uma prática cultural e que, portanto, deve ser compreendida de acordo com as suas variações ao longo do tempo e nos diferentes lugares em que acontece”. Sobre o modo predominante como se lê hoje, o pesquisador acredita que a revolução da informática propicia uma percepção mais veloz do
tempo, o que tem repercutido na qualidade da leitura. “De uma leitura sistemática passou-se a ler no intervalo entre uma coisa e outra, como quando fecha o farol, ou no ônibus do trabalho para casa”, afirmou. De acordo com ele, outros tipos de leitura continuarão a ser desenvolvidos. “Não se lê mais de cabo a rabo, mas saltando, como nas páginas que se abre na janela de um computador. Para isso já existe até um verbo específico: surfar. Continuamos atualizando e criando novas maneiras de ler”, afirma. Para Schapochnik, formatos diversos convivem com práticas de leitura concomitantes. “A história material do livro influencia o tipo de leitura que se faz. As características físicas são decisivas no modo com que se lê. Pra cada tipo de leitor existe uma edição correspondente a sua expectativa. Diz-me que edição tu lês e te direi que leitor tu és”, conclui.

> O Globo, 27/03/2012 - Rio de Janeiro RJ
Proibição de kit anti-homofobia nas escolas terá nova votação
Projeto recebeu duas emendas e será analisado pelas comissões permanentes da Câmara de Vereadores do Rio
Rodrigo Gomes
RIO - O Projeto de Lei nº1082/2011, que proíbe a divulgação de qualquer tipo de material didático com informações sobre diversidade sexual no ensino fundamental e na educação básica, recebeu duas emendas durante votação nessa terça-feira (27) na Câmara Municipal da cidade. Por conta disso, o projeto segue novamente para apreciação das comissões permanentes, sem data definida para votação. Entidades e defensores dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transsexuais (LGBTT) estiveram presentes na votação com o objetivo de pressionar os vereadores do Rio a votar contra o projeto de autoria do vereador Carlos Bolsonaro (PP-RJ), filho do deputado federal Jair Bolsonaro. Uma das emendas apresentadas pelos vereadores modifica o art. 1º do projeto, que passará a vedar distribuição, exposição e divulgação de qualquer tipo de material que contenham orientações sexuais, não apropriadas à faixa etária nos estabelecimentos de educação infantil. A outra emenda suprime o parágrafo único do projeto, que tem o seguinte teor: “O material a que se refere o caput deste artigo é todo aquele que, contenha orientações sobre a prática da homoafetividade, de combate à homofobia, de direitos de homossexuais, da desconstrução da heteronormatividade ou qualquer assunto correlato”.

O presidente da Associação
Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, chamou a decisão de retrógrada. - Todo mês temos casos de crianças que sofrem homofobia nas escolas pelo Brasil. Homossexualidade não é uma opção ou escolha. Nasce com o ser humano. De nenhuma forma um material vai influenciar uma criança a deixar de ser heterossexual - defendeu. Autor da proposta, o vereador Bolsonaro alegou não ser contrário à discussão sobre diversidade sexual nas escolas, mas, sim, contra o que chamou de “propaganda à homossexualidade” para uma faixa etária que, segundo ele, não tem condições de compreender o assunto.

- São crianças de 6, 7, 8 e 9 anos de idade que deveriam ter um ensino de qualidade sobre biologia, português, matemática. É uma covardia expor as crianças a filmes pornográficos e orientações que incentivam o homossexualismo. Por que não investir esse dinheiro público no ensino médio, onde as pessoas já têm a personalidade formada? - disse durante entrevista à Agência Brasil. O deputado federal Jean Wyllys (P-SOL) enviou um ofício ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, pedindo que ele “se posicione publicamente contra esse aberrante projeto, dê orientações à bancada do seu partido para rejeitá-lo e se comprometa a vetá-lo se for aprovado”. Ele chamou o projeto de Bolsonaro de “Lei do
Bullying”. - O projeto legaliza o bullying homofóbico nas escolas, é inconstitucional e vai contra os avanços conquistados pela sociedade carioca. O espantoso é que 21 vereadores tenham optado por ignorar a realidade do país. Nós, homossexuais, não nascemos adultos. Um menininho de 6 anos não precisa apanhar e ser humilhado, porque não gosta de futebol e prefere ficar com as meninas, por exemplo. De que outra maneira senão com materiais didáticos e paradidáticos a escola pode desenvolver valores humanistas e combater o preconceito? - perguntou.

Estudo divulgado em 2009 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas apontou que de uma amostra nacional de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, 87,3% dos entrevistados tinham preconceito com relação à orientação sexual. No ano passado, o Ministério da Educação (MEC) criou um kit contra a homofobia, mas o material teve sua produção suspensa, após críticas de líderes religiosos. O projeto continua em suspenso, mas, no início do mês, o atual ministro da pasta, Aloizio Mercadante, declarou em uma audiência pública na Câmara dos Deputados que o kit não é solução adequada para solucionar o problema de homofobia nas escolas.

> O Globo, 27/03/2012 - Rio de Janeiro RJ
MPF quer permitir crianças com menos de 6 anos no ensino fundamental
Pelas regras do CNE, a criança que não completou 6 anos em 31 de março deveria ser matriculada na pré-escola
Agência Brasil
BRASÍLIA - O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) protocolou ação, hoje (26), na Justiça Federal para permitir que crianças com menos de 6 anos possam ser matriculadas no ensino fundamental. Atualmente, uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) define que, para ser matriculado no ensino fundamental, o aluno precisa completar 6 anos até 31 de março. No estado de São Paulo, uma deliberação do Conselho Estadual de Educação estipula o dia 30 de junho como data limite. A ação, que inclui pedido de liminar, quer que a União e o estado de São Pauloreavaliem os critérios de acesso dos alunos ao ensino fundamental. Para o procurador Jefferson Aparecido Dias, o critério da idade “retém o aprendizado infantil e acorrenta o desenvolvimento de crianças aptas a acompanhar a educação escolar”. Ele defende que a restrição é ilegal e incostituicional.

Pelas regras do CNE, a criança que não completou 6 anos em 31 de março deveria ser matriculada na pré-escola. No ano passado, ações semelhantes foram ajuizadas pelo Ministério Público em outros estados. Em Pernambuco, a Justiça Federal acatou o pedido do MPF. O
objetivo da resolução do CNE, aprovada em 2010, é organizar o ingresso dos alunos no ensino fundamental, porque, até então, cada rede de ensino fixava uma regra diferente. O colegiado defendia, à época, que a criança poderia ser prejudicada ao ingressar precocemente no ensino fundamental sem o desenvolvimento intelectual e social necessário à etapa. As decisões do CNE não têm força de lei, mas servem de orientação geral para os sistemas públicos e privados de ensino.

> IG Educação, 27/03/2012
Polêmica sobre diploma faz diretor de instituto recusar o MEC
Convidado a ocupar cargo no governo, coordenador no Acre Irailton Sousa é acusado de estar matriculado há 21 anos em universidade
Priscilla Borges, iG Brasília
O diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento da Educação Profissional Dom Moacyr do Acre, Irailton Lima Sousa, recusou uma proposta para assumir um cargo no Ministério da Educação antes mesmo que as negociações fossem concluídas. Sousa, que coordena as políticas de educação profissional da rede pública do Acre, viria a ser responsável pela Diretoria de Integração de Redes de Educação Profissional e Tecnológica. A justificativa para ter declinado do convite foi a repercussão, especialmente no Acre, da informação de que Sousa não tinha diploma de graduação. Segundo a coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Acre (UFAC), onde ele estudou, Sousa estaria matriculado no curso há 21 anos. Em sua defesa, o diretor do Dom Moacyr diz que já defendeu monografia e que a instituição perdeu dados sobre seu histórico acadêmico. Sousa não precisaria de um diploma universitário para assumir um cargo de confiança no ministério. Ele trabalharia em uma área na qual já atua no Acre. Porém, as polêmicas em torno da demora em concluir o curso de Ciências Sociais se acirraram em blogs locais. Nesta terça-feira, Sousa divulgou uma nota criticando reportagem publicada no Blog daAmazônia, do repórter Altino Machado, e defendendo-se das acusações.

Na nota, Sousa diz que o convite partiu da “militância setorial” acumulada por ele e que, por causa disso, se sente “inteiramente preparado para assumir os desafios decorrentes dessa função”. No entanto, afirma que as declarações da coordenação do curso de Ciências Sociais da UFAC e a reportagem criaram “uma situação de constrangimento que devo, a bem de todos, impedir que se prolongue”. “Apesar de não haver exigência legal de titulação superior para a ocupação do cargo, estou declinando da proposta de assumir a Diretoria de Integração de Redes da Secretaria de Educação Tecnológica do MEC. Busco, assim, evitar uma exposição prejudicial ao Ministério da Educação, em particular ao secretário Marco Antonio (de Oliveira, da Setec), a quem sou grato pelo convite formulado. Procurarei nos meios legais a resolução para o caso e a reparação dos danos morais a mim causados”, afirma em nota.

Conflitos - De acordo com a coordenação do curso, Sousa ingressou no curso, pela primeira vez, em 1991. Em 1998, teria feito novo vestibular para evitar um
jubilamento. A coordenação diz que ele não cumpriu a carga horária de 2.295 horas exigidas para concluir a graduação. Além disso, ele não teria feito a prova do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), obrigatória para liberação de diplomas. Sousa diz que houve desorganização da universidade em relação aos documentos de seu histórico acadêmico. Algumas disciplinas, ele diz, não foram contabilizadas pela coordenação do curso. Ele também não teria sido avisado de que fora convocado a prestar o Enade. “Nos últimos 11 anos, tenho grandes responsabilidades na gestão educacional, o que me leva, inclusive, a viajar com frequência. Minha demora na conclusão do curso acadêmico deveria ser encarada como uma dificuldade a ser superada com a verificação justa das habilidades e competências que pude desenvolver na universidade, jamais como uma fraqueza política a ser explorada num confronto inútil, que em nenhum momento busquei”, diz. Segundo a coordenação do curso, Sousa solicitou uma declaração de conclusão do curso, que não poderia ser fornecida até que o processo fosse resolvido institucionalmente.

Editoriais, artigos e opiniões
> Estado de Minas, 28/03/2012 - Belo Horizonte MG
Desafio da educação
Ensino de qualidade é essencial à formação do capital humano do país
Pedro Melo - Presidente da KPMG no Brasil
O Brasil e os brasileiros vivem um momento ímpar. O crescimento e a prosperidade alcançados nos últimos anos, aliados ao incremento e fortalecimento do mercado interno como resultado da conquista de melhorias na distribuição de renda, nos têm garantido uma exposição internacional inédita, o que contribui para realimentar o já positivo potencial de evolução. Diante dessa onda positiva, é natural que percebamos com maior nitidez algumas deficiências, especialmente as que surgiram nos momentos mais difíceis de nossa curta trajetória como nação, que soma pouco mais de 500 anos. Uma das mais perceptíveis está vinculada à qualidade da educação. Como país em pleno desenvolvimento, a necessidade de pessoas preparadas para ocupar as mais variadas funções profissionais tem crescido fortemente. Surge aí um importante gargalo. Também chamado de “apagão” da mão de obra, o fenômeno ameaça gravemente o potencial de expansão de setores inteiros, em razão da escassez de pessoal capacitado para assumir postos de trabalho. O Brasil somou importantes conquistas na área do ensino nas últimas décadas. Primeiramente, está sendo garantido acesso a todos osingressantes no ensino fundamental. A quase totalidade das crianças desfruta do direito constitucional à escolaridade gratuita.

O problema é garantir a adesão para que deem continuidade aos estudos ao longo dos anos. Também foi ampliada a oferta de vagas no ensino superior, não só com o crescimento e aumento da rede de universidades públicas, mas, também, com a abertura à expansão das chamadas instituições de ensino superior privadas, apoiadas por programas de concessão de bolsas ou de financiamento estudantil. Assim, o motor de grandes preocupações e esforços de governos, instituições, empresas e autoridades vinculadas à educação é a oferta de um ensino de melhor qualidade em todos os níveis educacionais. É preocupante perceber que, apesar desses esforços, a evolução nesse sentido tem ficado aquém do esperado. Em fevereiro, o movimento Todos pela educação, que instituiu metas a serem atingidas até 2022, divulgou dados preocupantes, que indicam que, sem mudanças consideráveis, as referidas metas podem não ser atingidas, especialmente em razão do ingresso tardio de nossas crianças nas escolas, dos altos
índices de repetência e do elevado número de matriculados que abandonam seus estudos.

Apesar de as instâncias governamentais se esforçarem para garantir o acesso à escola, segundo os objetivos intermediários estabelecidos pelo movimento, nenhuma unidade da federação superou, em 2010, a meta estabelecida, que previa 93,4% de todas as crianças e jovens entre 4 e 17 anos matriculados e frequentando a escola. Até 2022, o percentual estabelecido pelo movimento é de 98%. O país todo e o empresariado brasileiro, em especial, precisam contar com pessoas bem capacitadas a assumirem as demandas do crescimento, que tendem a evoluir. Nesse sentido, a educação de qualidade é essencial para garantir a força intelectual e profissional necessária para atender à demanda do capital humano, sem dúvida o principal pilar de nosso progresso e soberania em termos de conhecimento. Os desafios não são poucos, mas a coordenação de esforços dedicados para qualificar o ensino e a capacitação oferecida aos brasileiros serão um fator crucial para a consolidação do desenvolvimento.

> Folha.com, 28/03/2012 - São Paulo SP
Inclusão na escola, um relato pessoal
Quando digo que meu filho tem necessidades especiais, a vaga some. Ele sofrerá bullying, diz a diretora. 'Mas isso não é errado?', ele responde. Não recebe resposta
Maria Gabriela Menezes de Oliveira
Será que estou redescobrindo a roda? Quanto mais o Enem se fortalece como instrumento de avaliação e como meio de ingresso no ensino superior, menos vagas sobram para as crianças com necessidades especiais no ensino médio regular e no final do ensino fundamental. Essa convicção se apoia na lógica e na sensibilidade de mãe de um adolescente de 16 anos com necessidades especiais que, como muitas outras, peregrina por escolas privadas em busca de quem aceite o seu filho. Não tenho problemas com o Enem como exame: a adesão é voluntária, como foi voluntária a opção das universidades federais em adotá-lo. Ele é o culpado pela exclusão de crianças e adolescentes com necessidades especiais? Não, ele é apenas mais um ingrediente no prato já bastante indigesto da inclusão nas escolas. Vivemos em uma sociedade competitiva. Conforme mais alunos são admitidos em boas universidades, melhor fica a imagem da escola onde eles estudaram, fazendo com que elas aceitem menos alunos com necessidades especiais. Além disso, quanto custa para o professor e a para a classe ter alguém com necessidades especiais estudando no mesmo ambiente?

Depende. Do ponto de vista humanitário, nada. Ao contrário, os alunos ganham porque aprendem a conviver e a respeitar o diferente. No entanto, é verdade que o custo depende da qualificação do professor e da escola. Meu filho, por exemplo, tem síndrome de
Asperger (transtorno do espectro autista) e epilepsia refratária (crises epilépticas recorrentes). Ele exige, assim, o esforço e o trabalho conjunto de vários profissionais. Quando entro em contato com as escolas, sempre pergunto primeiro se há vaga para o ano em que meu filho está. Respondem que sim. Então completo: "ele é aluno de inclusão". A vaga some. Em minha peregrinação, deparei-me com uma série de situações. Em uma delas, o dono da escola me recebeu dizendo que não tinha condições e indicou uma escola inclusiva. Lá, quase todos os alunos têm necessidades especiais -é, portanto, uma escola exclusiva. Como os psicólogos e médicos de meu filho sugerem que ele tenha um referencial de relacionamentos sociais normais, procurei outras escolas. Em uma delas, a coordenadora pedagógica, com a segurança que os casos de síndrome de Down, paralisia cerebral e autismo leve permitiam, disse que meu filho teria vaga na sua escola.

Na véspera do inicio das aulas, porém, fui avisada de que meu filho tinha sido rejeitado. As razões: ele sofreria bullying, não daria conta do conteúdo e os professores não o queriam na sala de aula. Trata-se, como se vê, de uma peneira perversa e intolerante, que só inclui os eleitos. O evento afetou muito meu filho, que assistiu a tudo. Ao ouvir a referência ao bullying, ele perguntou: "Mas não serão eles os errados se fizerem bullying comigo?" Nada ouviu como resposta. Os professores estão
capacitados para lidar com a variedade de transtornos do desenvolvimento que existe? Definitivamente não! No currículo dos cursos de licenciatura em pedagogia, existe a disciplina de educação inclusiva. Mas só isso basta para um professor enfrentar uma sala com alunos de inclusão? Não -embora seja louvável a existência da disciplina de Libras (Língua Brasileira de Sinais), obrigatória na formação dos professores.

Como fazer então valer um preceito constitucional? Não sei, sou apenas uma mãe. No entanto, convido ao debate os profissionais da área da educação, da saúde, do direito, do governo, e nós, pais e mães. É preciso que todos juntos busquemos meios para que os direitos desses nossos pequenos cidadãos serem respeitados agora, enquanto estão em formação, para que eles possam exercer a plena cidadania quando adultos. Enfim matriculei meu filho em uma escola de muitos alunos, com e sem necessidades especiais. Não sei se, por lá, ela vai conseguir evoluir até o limite de sua capacidade. Mas ele foi acolhido por todos. É disso que uma criança vítima de rejeição crônica também precisa para ser feliz -embora a permanência na escola seja uma outra questão. MARIA GABRIELA MENEZES DE OLIVEIRA, 49, bióloga com doutorado em psicobiologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é neurocientista e professora da mesma universidade.

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