sexta-feira, 20 de abril de 2012

CLIPPING EDUCACIONAL, SEGUNDA 02 DE ABRIL DE 2012


Matérias de Hoje
  • Alunos de pós cruzam os braços > O Estado de São Paulo - São Paulo, SP
  • Hábito de leitura cai no Brasil, revela pesquisa > Revista Veja
  • No Rio, creches situadas em áreas de risco terão programa piloto > O Globo - Rio de Janeiro, RJ
  • UnB proíbe o trote sujo > Correio Braziliense - Brasília, DF
  • São Paulo terá 4,6 mil alunos pedalando bicicletas de bambu > Terra Educação

Editoriais, artigos e opiniões
  • Patina o ensino técnico > O Estado de Minas - Belo Horizonte, MG


Matérias
> O Estado de São Paulo, 02/04/2012 - São Paulo, SP
Alunos de pós cruzam os braços
Mestrandos e doutorandos fazem greve por um dia para cobrar reajuste nas bolsas
Carlos Lordelo e Juliana Deodoro, Especial para o Estadão.edu
O engenheiro Alan Godoy Mello, de 27 anos, rejeitou proposta de emprego do Google, morar na Califórnia e ganhar US$ 6 mil. Preferiu continuar o doutorado na Unicamp, com uma bolsa de R$ 1,8 mil. "Acredito que estou fazendo algo de importante para meu País. Quero ser professor universitário. Mas toda hora que aparece uma oportunidade eu fico na dúvida se vou ou não." APG Unifesp/DivulgaçãoProtesto na Unifesp, em São PauloAlan hesita principalmente quando pensa no valor do auxílio que recebe da Capes, uma das agências de fomento à pesquisa do governo federal - a outra é o CNPq. "Tenho quase 30 anos e preciso pedir ajuda aos meus pais de vez em quando", reclama. Nesta quinta-feira, 29, ele participou da paralisação nacional dos pós-graduandos, cujo objetivo era pressionar o governo a reajustar as bolsas, congeladas há quatro anos em R$ 1,2 mil (mestrando) e 1,8 mil (doutorando).

A greve foi convocada pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), que cobra aumento de 40% no valor das bolsas. "Conseguimos mobilizar universidades importantes em todo o País, com atos simbólicos muito significativos", avalia a presidente da entidade, Elisangela Lizardo, de
32. Ela faz doutorado em Educação na PUC-SP.

Segundo a estudante, até a situação dos orientadores está complicada. "Está difícil segurar orientando com uma bolsa nesse valor", diz Elisangela. "E a gente não considera justo comparar o aumento na quantidade de bolsas para justificar o congelamento dos auxílios, porque o pesquisador precisa receber decentemente para se dedicar com mais afinco às suas atividades."

O doutorando em Ciências Agrárias Anderson de Carvalho Silva, de 28, também cruzou os braços nesta quinta. Para ele, o investimento em estudantes com um nível de instrução mais elevado está "aquém do necessário". "E às vezes a gente ainda precisa usar a grana da bolsa para arcar com custos da pesquisa", conta Anderson, bolsista da Capes na Universidade Estadual de Feira de Santana.

Victor Guimarães, de 24, não parou a pesquisa porque, segundo ele, o movimento nacional foi "mal divulgado" na Federal de Minas Gerais (UFMG). "Se eu soubesse da greve, com certeza apoiaria. O bolsista precisa fazer gambiarras para sobreviver", afirma. Ele faz mestrado em Comunicação e divide
apartamento com outros dois amigos mestrandos. "Talvez não conseguiria morar sozinho. O salário mínimo sobe todo ano, o custo de vida também, e as bolsas não sobem." Foi justamente com a hashtag #MinhaBolsaNaoAumentou que os pós-graduandos fizeram um twittaço nesta quinta, para chamar a atenção da sociedade. A palavra-chave chegou a ficar entre os assuntos mais comentados do Twitter.

Solidariedade - Na USP, onde grande parte dos pós-graduandos é bolsista da Fapesp - e recebe um pouco mais do que seus colegas financiados por agências federais - os alunos do Instituto de Química paralisaram as atividades nesta tarde. Segundo o doutorando Bruno Queliconi, de 25 anos, cerca de 40 pessoas se reuniram para discutir o incentivo à pesquisa no País e pedir à direção do IQ que interceda pelos estudantes nos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia. "Não dá para um mestrando viver em São Paulo ganhando R$ 1.200,00. Ele teria de morar em república e comer em bandejão", diz Bruno. "Considerando que nos últimos anos a inflação não foi baixa, fica difícil alguém mais pobre fazer pós com esse salário."

> Revista Veja, 28/03/2012
Hábito de leitura cai no Brasil, revela pesquisa
Parcela de leitores passou de 55% para 50% da população entre 2007 e 2011. Até entre crianças e adolescentes, que leem por dever escolar, houve redução
Nathalia Goulart
O brasileiro está lendo menos. É isso que revela a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Ibope Inteligência. De acordo com o levantamento nacional, o número de brasileiros considerados leitores – aqueles que haviam lido ao menos uma obra nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões (55% da população estimada), em 2007, para 88,2 milhões (50%), em 2011. A redução da leitura foi medida até entre crianças e adolescentes, que leem por dever escolar. Em 2011, crianças com idades entre 5 e 10 anos leram 5,4 livros, ante 6,9 registrados no levantamento de 2007. O mesmo ocorreu entre os pré-adolescentes de 11 a 13 anos (6,9 ante 8,5) e entre adolescente de 14 a 17 (5,9 ante 6,6 livros).
Para Marina Carvalho, supervisora da Fundação Educar DPaschoal, que trabalha com programas de incentivo à leitura, uma das razões para a queda no hábito de leitura entre o público infanto-juvenil é a falta de estímulos vindos da família. “Se em casa as crianças não encontram pais leitores, reforça-se a ideia de que ler é uma obrigação escolar. Se existe uma queda no número de leitores adultos, isso se reflete no público infantil”, diz a especialista. “As crianças precisam
estar expostas aos livros antes mesmo de aprender a ler. Assim, elas criam uma relação afetuosa com as publicações e encontram uma atividade que lhes dá prazer.” O levantamento reforça um traço já conhecido entre os brasileiros: o vínculo entre leitura e escolaridade. Entre os entrevistados que estudam, o percentual de leitores é três vezes superior ao de não leitores (48% vs. 16%). Já entre aqueles que não estão na escola, a parcela de não leitores é cerca de 50% superior ao de leitores: 84% vs. 52%.
Outro indicador revela a queda do apreço do brasileiro pela leitura como hobby. Em 2007, ler era a quarta atividade mais apreciada no tempo livre; quatro anos depois, o hábito caiu para sétimo lugar. Antes, 36% declaravam enxergar a leitura como forma de lazer, parcela reduzida a 28%.
À frente dos livros, apareceram na sondagem assistir à TV (85% em 2011 vs. 77% em 2007), escutar música ou rádio (52% vs. 54%), descansar (51% vs. 50%), reunir-se com amigos e família (44% vs. 31%), assistir a vídeos/filmes em DVD (38% vs. 29%) e sair com amigos (34% vs. 33%). "No século XXI, o livro disputa o interesse dos cidadãos com uma série de entretenimentos que podem
parecer mais sedutores. Ou despertamos o interesse pela leitura, ou perderemos a batalha", diz Christine Castilho Fontelles, diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, que há 13 anos promove ações de incentivo a leitura.
Um levantamento recente do Ecofuturo revelou a influência das bibliotecas sobre os potenciais leitores. De acordo com o levantamento, estudantes de escolas próximas a bibliotecas comunitárias obtêm desempenho superior ao de alunos que frequentam regiões sem biblioteca. Nesses casos, o índice de aprovação chega a ser 156% superior, e a taxa de abandono cai até 46%. "Ainda temos uma desafio grande a ser enfrentado, já que grande parte das escolas da rede pública não contam com biblioteca." Uma lei aprovada em 2010 obriga todas as escolas a ter uma biblioteca até 2020. Na época, o movimento independente Todos Pela Educação estimou que, para cumprir com a exigência, o país teria de erguer 24 bibliotecas por dia. A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil foi realizada entre 11 de junho e 3 de julho de 2011 e ouviu 5.012 pessoas, com idade superior a 5 anos de idade, em 315 municípios. A margem de erro é de 1,4 ponto percentual.


> O Globo, 01/04/2012 - Rio de Janeiro, RJ
No Rio, creches situadas em áreas de risco terão programa piloto
Famílias serão orientadas para estimular o desenvolvimento das crianças
Marcelle Ribeiro
A Prefeitura do Rio estima que, até maio, os coordenadores de pais comecem a atuar em 15 ou 20 creches municipais situadas em áreas de risco, em todas as regiões da cidade. Essas unidades fazem parte de um programa municipal chamado Primeira Infância Completa (PIC), no qual famílias que não conseguiram vaga para que seus filhos frequentem diariamente creches públicas ou que optaram por não as matricular vivenciam, aos sábados, a rotina de um dia de creche. Além disso, os pais recebem aulas para auxiliar no desenvolvimento de seus filhos, que, para serem beneficiados, devem ter até 3 anos e 11 meses.
A ideia é que os coordenadores de pais do programa Excelência em Gestão Educacional acompanhem essas crianças aos sábados e conversem com os pais. Eles vão ficar atentos a bebês que não estão com desenvolvimento adequado à idade, o que pode ocorrer, por exemplo, com crianças que não andam e nem falam na idade
esperada. Nesses casos, eles agendarão visitas às casas das famílias para estreitar o contato. — Em casa, os orientadores vão ajudar os pais a estimular a criança. Vão ler para elas e falar dos cuidados com alimentação, sono e nutrição. Eles vão ver o que a criança está comendo em casa, checar se os pais estão levando a criança ao pediatra e também orientar sobre outros benefícios a que a família tem direito e não está usufruindo — detalha a secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin.
A escolha de creches que ficam em áreas de conflito foi feita porque a secretaria acredita que a tensão criada pela violência influencia na educação dos pequenos. — Crianças que vivem em áreas de risco são submetidas a muito estresse. A violência coloca uma tensão enorme nos pais, e isso acaba por influenciar os bebês — afirma Claudia. Segundo ela, há dois anos, a prefeitura fez uma avaliação que detectou que a
evolução de muitas crianças de creches municipais não era adequada. O projeto piloto durará um ano, mas pode ser ampliado, conforme avaliação dos resultados. Se houver progressos, as 52 creches que fazem parte do PIC podem aderir à iniciativa. E o programa pode chegar também às crianças que frequentam as creches diariamente.
As expectativas em relação aos resultados, segundo a secretária, são grandes: — Se as crianças tiverem um bom começo, as chances de se desenvolverem adequadamente serão maiores. A prefeitura já colocou em prática outro projeto no qual as casas de estudantes também são visitadas. A iniciativa atinge 151 escolas do ensino fundamental localizadas em áreas controladas pelo tráfico ou por milícias, e, segundo a secretaria, a evasão escolar nessas instituições caiu de 5,1%, em 2008, para 3,18%, em dezembro de 2011


> Correio Braziliense, 02/04/2012 - Brasília, DF
UnB proíbe o trote sujo
A decisão do Conselho Universitário da instituição foi aprovada por 42 votos a favor e seis abstenções. Mas somente deverá entrar em vigor depois da reunião marcada para 13 de abril
Thalita Lins
O Conselho Universitário da Universidade de Brasília (Consuni) aprovou, por 42 votos a favor e seis abstenções, na noite de ontem, a proibição do trote sujo na instituição. A decisão foi tomada pelo reitor, vice-reitor, estudantes, professores, diretores e vices de todas as faculdades. A mesa do auditório da reitoria foi ocupada pelo relator da resolução, o reitor José Geraldo de Sousa Júnior, o conselheiro David Renault, diretor da Faculdade de Comunicação e a decana de Assuntos Comunitários, Carolina Cássia Batista. O tema vinha sendo discutido na universidade desde o ano passado, quando as regras de convivência comunitária passaram por consulta pública, e ganharam maior evidência nas últimas semanas após uma série de práticas de mau gosto nos cursos de mecatrônica, ciências contábeis e agronomia.
O órgão máximo deliberativo da universidade levou pelo menos cinco horas para que o texto-base da resolução, que trata de regras de convivência nos câmpus, fosse votado e aprovado. Não houve votos contrários, porém, seis alunos representantes do corpo discente se abstiveram do sufrágio. O documento impõe uma série de restrições, entre elas a de realização de festas em todos os centros acadêmicos (ver quadro).
A resolução ainda não está em vigor. Em 13 de abril, haverá mais uma reunião do Consuni para que o relatório receba ajustes, entre eles uma possível mudança na punição para os trotes violentos. A minuta passará a ter validade uma a duas semanas após a essa reunião. “Sobrará pouca discussão. O documento só terá validade a partir do momento em que ela for publicado”, disse o relator do texto, David Renault. O reitor José Geraldo de Sousa Júnior recebeu com otimismo o resultado da votação. “Foi um imenso avanço.
Estamos criando regras para uma convivência saudável. Nós atravessamos o rio e, agora, daqui para frente vamos refinar as normas”. Conforme adiantou Renault, no próximo encontro, será debatido se somente o autor da recepção humilhante ou se até mesmo o centro acadêmico do curso será punido pela prática do ato ilegal. A resolução trata o trote sujo como sendo aquele em que o calouro sofre “ações de tortura, tratamento ou castigo desumano ou degradante, constrangimento e situações de discriminação de qualquer natureza”. Para o docente, até mesmo a recepção que acaba deixando o estudante sujo de tinta, ovo, farinha e que o obriga a tirar a camiseta e a passar por brincadeiras como elefantinho será punida. “Esses atos atingem a integridade física e psíquica de quem é submetido a ele”, afirmou David Renault.
Itens da resolução - É proibido o trote que submete qualquer membro da comunidade acadêmica a ações de tortura, a tratamento ou castigo cruel, desumano, degradante, constrangimento e a situações de discriminação de qualquer natureza. O trote será combatido com medidas pedagógicas e educativas, sem prejuízo das sanções legais cabíveis. As atividades acadêmicas como aulas teóricas, práticas, experimentais, bem como os espaços físicos destinados a eles devem ter condições de acesso, sonoras e de salubridade para o pleno funcionamento. É proibido fumar em qualquer área edificada ou fechada - É expressamente proibida a comercialização de bebidas alcoólicas nos espaços acadêmicos, bem como em outras instalações do câmpus, salvo em casos de prévia autorização. Reuniões de confraternização, recepção de ingressantes ou encerramento de semanas acadêmicas não poderão exceder o
horário de 22h30. Elas podem se estender até meia noite, se autorizado previamente por autoridade competente
Estudantes vão propor mudanças - Conselheiro e membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, o formando em ciências políticas Mateus Lobo, 23 anos, foi um dos integrantes do Consuni que se absteve de votar. Segundo ele, dois parâmetros levaram ao grupo de seis alunos a não decidir se era contra ou a favor de parte das diretrizes propostas na resolução. “A gente não concordou com o método utilizado para a modificação do texto, pois hoje não teria tempo para tal ajuste e porque nós divergimos em relação ao trote. Somos a favor dele, mas desde que não haja desrespeito ao indivíduo e que ele tenha liberdade para escolher e não ser intimidado”, disse o estudante.
Ele e os representantes dos discentes da universidade puderam propor, na reunião do último dia 23, mudanças no texto. “Acreditamos também que quem deve ser punido é o indivíduo que fez o trote e não o centro acadêmico. Iremos fazer essa declaração no próximo conselho”, disse Mateus. A votação ocorreu duas semanas após o Correio publicar uma série de reportagens sobre as boas-vindas agressivas regadas a álcool, tinta, ovo, farinha e até com arma de choque. Em um dos casos, dois alunos de agronomia e ciências contábeis ficaram em coma alcóolico após uma confraternização de recepção entre calouros e veteranos em um bar na 408 Norte, nos quais foram obrigados a beber. Em outra situação, novatos também de ciências contábeis passaram por constrangimento ao terem que responder a um questionário para apontar sobre a opção sexual.


> Terra Educação, 31/03/2012
São Paulo terá 4,6 mil alunos pedalando bicicletas de bambu
Vagner Magalhães Direto de São Paulo
A Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo lançou neste sábado, no bairro de Heliópolis, zona sul da capital paulista, o projeto que prevê a distribuição de cerca de 4,6 mil bicicletas fabricadas de bambu para que alunos de 45 Centros Educacionais Unificados (CEUs) façam diariamente os trajetos de ida e volta aos estudos utilizando o equipamento. Para celebrar o início do projeto foi realizado um passeio ciclístico de 6 km, pelas ruas do bairro. O evento, no entanto, foi realizado com bicicletas convencionais, já que apenas duas do projeto tinham sido entregue a tempo. A ideia é que até o fim doano, cada um dos CEUs tenha pelo menos 100 alunos ciclistas, com idades entre 12 e 14 anos. O trajeto entre casa e escola será feito em comboios de 15 a 25 estudantes e dentro dos colégios haverá um local apropriado para o estacionamento das bicicletas.
Monitores treinados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pelo Instituto Parada Vital serão encarregados do treinamento dos alunos, que envolvem, inclusive, regras de trânsito e manutenção dos equipamentos. Para a realização do projeto, a Secretaria da Educação teve como consultor o especialista
em mobilidade urbana Mikael Colville-Andersen, da Dinamarca. Para participar, os alunos precisarão ter o consentimento dos pais. De acordo com o designer brasileiro Flávio Deslandes, que começou a utilizar o bambu para a fabricação de bicicletas em 1995, o material é viável e tão resistente quanto o alumínio. "Por ser flexível, o bambu tem uma resistência muito adequada. Exige baixo gasto de energia por ser cilíndrico e é extremamente viável. Com a fabricação em escala de cerca de 5 mil bicicletas, o custo, que hoje gira um pouco abaixo dos R$ 1 mil deve cair bastante", disse.


Editoriais, artigos e opiniões
> O Estado de Minas, 02/04/2012 - Belo Horizonte, MG
Patina o ensino técnico
Editorial
A implantação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) paga o preço da imprevidência. Lançado há um ano, previa oferecer 8 milhões de vagas no ensino profissionalizante até 2014. Balanço parcial do Ministério da Educação acende a luz vermelha. Em 2011, os interessados contaram com apenas 617 mil vagas. Muitas são as causas da marcha lenta do projeto que representa a esperança de alargar um dos mais apertados gargalos da indústria nacional — a falta de mão de obra especializada. Entre eles, o atraso nas obras de expansão dos institutos federais, a escassez de professores especializados e a qualidade dos técnicos formados, incompatível com as exigências do mercado.

Analisadas com atenção, as razões da semiparalisia têm um denominador comum. Trata-se da ausência de planejamento. A imprevidência é uma das marcas mais emblemáticas do Brasil. Com a nefasta cultura do jeitinho, o país não programa o desenvolvimento. Confia na sorte ou espera os ventos
soprarem para tomar esta ou aquela direção. Ocorre que o fado nem sempre sorri. E brisas se transformam em tempestades sem que a meteorologia perceba a mudança. As consequências, como lembra o conselheiro Acácio, vêm depois. Dar-lhes resposta adequada exige urgência. A improvisação torna-se a palavra-chave. Sob o comando de achismos, falta de profissionalismo e interesses nem sempre republicamos, abrem-se as porteiras para o desperdício e a corrupção. Obras emergenciais, que dispensam licitação, multiplicam o valor do produto e comprometem a qualidade. A sociedade perde para que poucos ganhem.

Não só. A falta de planejamento responde pela crise da infraestrutura. Estradas, hospitais, portos, aeroportos e energia não acompanharam o crescimento do país e da população. Vivemos hoje situação comparável à da criança que cresceu, mas os pais não lhe renovaram as roupas nem os móveis. O adulto se aperta em traje
de criança. O corpo de 1,80m se encolhe para caber no berço.

O Brasil já teve escola pública de qualidade, saúde pública de excelência, estradas suficientes, aeroportos aptos a atender as companhias aéreas e os passageiros com segurança, conforto e pontualidade. Sem olhar para a frente, o país se conformou com o já feito. Agora, ao se dar conta da explosão da demanda, precisa recuperar o tempo perdido. Mas encontra pedras no caminho. Entre elas, a falta de profissionais aptos a responder aos novos desafios. Como recursos humanos não se compram em supermercado, há que formá-los. Trata-se de processo lento. Dispor de professores, engenheiros, médicos, biólogos e tantos outros profissionais exigidos pelo mercado da sexta economia do mundo levará tempo — o bem mais escasso diante das urgências nacionais. O marcapasso das escolas técnicas se enquadra nessa realidade. A maria-fumaça impede o trem-bala de avançar.

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